segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A magia da ilusão....

    

    Quando foi a última vez que você acreditou num mágico?
    Aos 6? 12? 30? 40 anos? Ainda acredita?
    Quantas vezes acreditamos em alguém que nos ofereceu algo encantador?
    E quantas dessas vezes nos frustramos ao descobrir que se tratava apenas (mais uma vez) de um truque barato?
    Odeio ser estraga prazeres, mas mágicos (fora os da fantasia) não existem. Os da vida real possuem outro nome: Ilusionista.
    E todo ilusionista sabe bem como fazer o seu trabalho. Nos seduzem. Nos cegam. Nos hipnotizam. Nos manipulam. Tudo para que possamos satisfazer sua vaidade e seu ego gigantesco. Para o ilusionista o que mais importa é a plateia acreditar que SÓ ele consegue fazer algo que ninguém mais faz.
   O ilusionista sabe para quem está representando, conhece sua plateia, a estuda, diz exatamente o que o outro quer (ou acha que precisa) ouvir.
   Quando estamos prestes a descobrir seus segredos ele vem e apresenta um novo truque. Conhece o seu poder de sedução e sabe, como ninguém usar suas artimanhas para atrair a atenção somente para si.
Engana-se quem pensa que os “Mágicos” estão apenas nos circos ou buffets infantis.  Tem aqueles que nos seduzem apenas para levar para a cama (e só) pois eles não se envolvem nunca (é triste, mas tudo aquilo que ele te disse era só para te foder - literalmente).
    Tem ainda o mágico da batina (do púlpito, do axé, etc.), que são capazes de realizar verdadeiras mágicas milagrosas em troca de dinheiro, vaidade ou em troca de (também literalmente) foder com a sua vida.
    A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva , em seu livro Mentes perigosas: O psicopata mora ao lado, relata como agem esses verdadeiros seres que com seu jeito todo especial de ser, conseguem nos seduzir.
    E não adianta ninguém querer abrir nossos olhos, mostrar como a “mágica” funciona. Não há Mister M nem Oftalmologista capaz de nos fazer enxergar novamente. Quem cansa não somos nós, é ele.
    Cansado de iludir apenas a mesma pessoa ou grupo, o “mágico” precisa constantemente testar o seu poder de manipulação e parte para conquistar novos admiradores.
E só então é que a ficha cai. A ilusão acaba. Mas você ainda acredita nela. Pior, ainda espera por ela, ou por alguém que a traga de volta.
    O mais revoltante não é descobrir que fomos iludidos, é admitir que no fundo sempre soubemos da mentira, mas ainda assim preferimos (ou foi mais fácil) acreditar nela.
Voltar a acreditar na vida real depois de tanto tempo vivendo na ilusão pode ser algo dolorido onde nos vemos sem nenhum tipo de esperança nas pessoas ou na vida futura.   
    Mas acredite, a vida real embora mais complicada, pode ser bem fácil do que a ilusão de viver num grande numero de mágicas.

   Se passarmos a acreditar apenas nas ilusões dos mágicos, podemos acabar num dos seus mais famosos truques: ser serrados ao meio...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O amor romântico...

       

          É lógico que depois de tantas menções ao tal amor romântico, surgiu uma porção de leitores que me acompanham pelo blog, querendo saber mais a respeito.
     E lá fui eu tentar colocar no papel a minha definição sobre o assunto. Mas como escrever sobre algo que a maioria das pessoas (ainda) julga como algo a ser conquistado como motivo de felicidade plena, depositando no outro a responsabilidade pelo seu bem estar? 
      Como tentar explicar algo para aqueles que vivem isso como verdade absoluta? 
Jogar um balde de água fria? 
Ser acusado de frustrado afetivamente?
    Não. Resolvi desenhar. 
    Peço licença para publicar um texto da escritora Regina Navarro Lins, autora daquele tipo de livro que deveria ter sua leitura obrigatória, “O Livro do Amor” ...
    “...Desde muito cedo somos levados a acreditar numa relação amorosa fixa, estável e duradoura como única forma de realização afetiva. Passamos então a vida esperando o momento de encontrar “a pessoa certa”, para, a partir daí, vivermos felizes para sempre. Sonhos e esperanças, por tanto tempo alimentados, desaparecem, dando lugar à desilusão, muito comum, depois de certo tempo.  Por que a vida a dois não corresponde às expectativas nela depositadas?
      A resposta mais provável reside no enorme descompasso entre a expectativa criada e a real possibilidade de satisfazê-la. Alimentados pelo mito do amor romântico, homens e mulheres esperam que as pessoas que se amam se tornem uma só.
   Desistem de seus prazeres e projetos pessoais, se afastam dos amigos, sempre apostando na satisfação mágica de todas as necessidades. Participam sem cerimônia da vida do outro, mas o controle sufocante que daí decorre não é evitado. É aceito como necessário para garantir a complementação total.
     O amor romântico é construído em torno da idealização do amado (?) em vez da realidade. A pessoa inventa o que quer e atribui ao outro características de personalidade que na verdade ele não possui. Mas na convivência diária é impossível manter a idealização. Quando ocorre o desencanto, isto é, quando percebemos que o outro é um ser humano e não a personificação de nossas fantasias, nos ressentimos e geralmente o culpamos. O que ninguém pensa é que somos nós que precisamos modificar as expectativas que alimentamos e as exigências que impomos aos nossos relacionamentos.”
     Lembrem-se: Ninguém pode se tornar algo diferente daquilo que é, muito menos em algo que idealizamos.  Aliás, se analisarmos bem, desde o princípio sabemos quando o outro não corresponde às nossas expectativas. O tempo todo.  Mas ainda assim insistimos em esperar que o outro mude, se transforme em algo que nós idealizamos. #Frustração  
     Já imaginou se alguém nos obrigasse a amá-lo contra a nossa vontade ou apenas da maneira que o outro pensa ser a ideal (?)?
       Sufocar o outro é sufocar a si próprio.
      Pessoalmente aprendi que para amar de verdade, é preciso amar o outro exatamente do jeito que ele é.  Quando nos livramos dessa ideia do amor romântico (e que ele vai ser a solução de todos os meus problemas) nos propomos a conhecer o outro do jeito que ele é, e com o que ELE tem a nos oferecer. A relação fica mais leve, leal e excitante, pois a vontade de descobrir quem o outro é, é mais saudável do que tentar transforma-lo em algo quem eu idealizei (e que não existe).
    Talvez o que nos falte, seja algo que tenhamos a pretensão de já nascer sabendo: Aprender a (se) amar!!!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

1989...

   

  Eu tive uma infância e uma adolescência extremamente feliz, talvez pelo fato de não precisar da nada além de mim mesmo para me sentir de tal forma. Bastava acordar de manhã, ir para a escola, voltar, dever de casa, rua, banho, mais um pouco de rua, outro banho e cama.
    Talvez meus pais não tenham percebido mas fui (ou me senti) a pessoa mais amada do mundo. A zona de conforto era enorme. A bolha me protegia.
    Mas lá no fundo eu sabia que (in)felizmente não seria sempre assim. Sensibilidade, mediunidade, necessidade de transgressão, seja lá o que for, me davam indícios de que nada seria daquela forma para sempre. Era melhor aceitar, porque as pedras viriam e aprender a me desviar ou curar suas marcas seriam a única forma de seguir adiante.
     No inicio da adolescência (com os hormônios à flor da pele), comecei a questionar os rumos que a minha vida afetiva/sexual tomariam. Se você leitor, nasceu a partir dos anos 90, provavelmente não sabe o que era ser gay naquela época. Resumindo: Ou você era a “bichinha do bairro” que levava pedrada, aquele que se enrustia dentro de um casamento, ou aquele condenado a se contentar com as migalhas de alguma aventura sem qualquer perspectiva de afeto.
    Não tinha força suficiente para ser a “bichinha” do bairro, nem tanta covardia ou hipocrisia necessarias para o enrustido, muito menos vocação para um pombo que se contenta com migalhas  que as vezes o outro joga (Sabe aquela sensação de carência absurda, onde surge alguém que só quer te usar, te dá um sorriso, passa a mão na sua cabeça e você logo de cara se apaixona, em vão embora. Depois voltam e te dão mais algumas migalhas, a ponto de se tornar um ciclo vicioso?).
     Não tinha jeito, teria que me bastar. Aprender a amar e  viver para si próprio talvez tenha sido o único meio de não enlouquecer na tentativa de responsabilizar o outro por aquilo que deveria fazer a mim mesmo
    É claro que fiz tudo ao contrário...rs. Veio o destino e me trouxe pessoas dispostas a me por em prova com relação a toda aquela auto-estima até então blindada por uma falsa proteção daquilo que sentia.
   Devo confessar que tudo o que foi vivido (e principalmente sentido) foi essencial no processo de construção da minha auto-estima. Empatia, raiva, altruísmo, empolgação, expectativas, ansiedade, hipocrisia, medo, ciúmes, lealdade, carater, mentiras, se apresentaram misturados num shake dificil de ser digerido mas que me foi empurrado goela abaixo.
    No primeiro relacionamento desejei tudo aquilo que me ensinaram (Segundo Regina Navarro Lins, o tal do “amor romântico”).
    No segundo, esperei tudo o que eu queria.
    No terceiro, o que eu preciso...
    Não vou aqui discutir a diferença entre os três, afinal seria dar murro em ponta de faca dizer para alguém que o que ele precisa está bem longe do que ele quer ou deseja. Desejar ou querer depende exclusivamente do outro responder às “nossas” expectativas.
    Nada (nada mesmo) acontece por acaso, só não podemos insistir nele, que na maioria das vezes nos aparece apenas para mostrar algo, e não ficar para sempre.
   Só me tornei quem eu sou, em parte, graças a cada uma dessas pessoas que passaram pela minha vida, não há como acusa-las de cada tapa que levei, sendo que fui responsável em permitir com que me levantassem a mão.
    É preciso ter amor de verdade (não o amor romântico). É preciso ter paz. É preciso ter tranquilidade, equilibrio. Ou como diria Antoine de Saint-Exupéry É preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas”.
    Talvez se tivesse feito tudo da forma que havia planejado lá em 1989, realmente tivesse sido bem mais fácil. Talvez naquela época enquanto ouvia Live to tell, algo já me dizia pra escolher entre o fácil e o desconhecido.
      Nunca gostei de coisas fáceis....

terça-feira, 26 de julho de 2016

Fragmente-se...

    

    Eita mania que temos em querer viver tudo de forma plena, completa.
Já repararam que a gente nunca consegue ser feliz por completo? E realizado? Amado (ou amar)?
    Parece que completas só temos mesmo nossas tristezas, raivas, angústias, medos, dúvidas, dívidas, mágoas e reclamações.
    Não, ninguém aguenta mais tanta reclamação, nem tanta ostentação.
  Toda polaridade cansa. Essa história de ou se vive de uma forma ou da outra completamente oposta não dá mais.
   A importância que damos a tudo deve depender exclusivamente do momento em que estamos vivendo e não de circunstancias ou conveniências.
   Nada é pleno, nada é absoluto, enquanto insistirmos em algo “cheio” seremos sempre “pouco”, no máximo “metade”. E viver pela metade geralmente significa buscar no outro aquilo que nos completa.
    Não né? Temos que aprender a nos preencher, para que caso apareça outro possamos transbordar. Vai que o outro não aparece? Ou talvez apareça completamente vazio?
    Seria um sonho ter uma penseira (espécie de utensilio utilizado por bruxos na saga Harry Potter onde são armazenados nossas preocupações após retiradas de nossa mente), mas já que não dispomos de tal artefato o jeito é aprendermos a fragmentar algumas emoções que insistem em nos tirar o sono.
    O que me faz feliz?
   A relação do que me faz feliz (ou melhor do que faz os meus momentos felizes) é tão extensa quanto a outra (que me deixa triste, com raiva). Estar com aqueles que eu amo. Namorar. Ler um bom livro. Viajar. ao teatro assistir musicais. Escrever. Trabalhar. Dormir. Estar com os meus amigos. Comer comida japonesa, mexicana, ir na Galeria dos Pães (na realidade acho que comer bem me faz feliz...rs). São coisas que eu amo.
   Descobri que muita coisa me faz feliz, e muito embora eu tenha uma infinidade de desejos a serem realizados, não posso responsabiliza-los pela minha felicidade, pois caso venha a realiza-los, ainda assim não me sentirei completamente feliz (sempre vai faltar alguma coisa), já imaginou se os desejos não se realizarem? Serei infeliz pelo resto da vida? Fragmentei a alegria.
    Mentira. Hipocrisia. Egoísmo. Atraso. Falta de educação. O preço da gasolina. Acordar muito cedo. O custo de vida. São coisas que realmente conseguem me tirar do sério. Mas aprendi a transformar tudo isso em instantes que não conseguiriam me fazer tão mal se os carregassem o tempo todo por onde quer que eu fosse. Fragmentei a raiva.
   É incrível como já vivi tristezas imensas com quem já me proporcionou as maiores alegrias. Tipo aqueles casais, amigos ou irmãos que até ontem não conseguiriam viver separados, e que após algum tipo de desentendimento passam a se odiar, esquecendo tudo o que foi vivido anteriormente. Não, né? Foram felizes sim, e se frustraram, se magoaram sim. Fragmentos de uma relação. Fragmentos de amor. Fragmentos de tristeza. Fragmentos de raiva. Fragmentos de saudade. Fragmentos de crescimento. Fragmentos de maturidade. Fragmentos de felicidade.
    Os fragmentos nos equilibram, se prestarmos atenção estamos sempre tristes com algo, mas felizes com outros. Talvez esse equilíbrio seja o responsável por não surtarmos. Alguém 100% feliz, realizado ou irado, se perde
    Se alguém me perguntasse aos 20 anos quem era meu melhor amigo, a resposta seria diferente dos 30, 35, 36, 40... ou hoje.
   As pessoas surgem exatamente quando precisamos delas naquele momento. Meu melhor amigo hoje não reduz a importância do meu melhor amigo do ano passado, a quem eu continuo amando pela importância fundamental num período fragmentado da minha vida onde ele era quem mais importava. Fragmentei a importância que dou às pessoas (ou a importância que elas têm na minha vida).
   Fragmentar os sentimentos, além de servir para que um sentimento não sobressaia ao outro, serve ainda para que possamos vivê-los com toda a intensidade, nem que seja por um instante, e que esse instante seja intenso a ponto de não nos tornarmos o coitadinho que só lamenta ou o animadinho da auto-ajuda; e vamos combinar? Os dois são chatos pra caramba...

    O segredo é fragmentar...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

“Tem coisas na vida que a gente não perde, a gente se livra .....”

    

    Só existe uma coisa pior do que comparar uma relação à outra: tomar como referência aquela que não deu certo.
    Às vezes a auto estima (?) não está no chão. Está no subsolo. A ponto de esquecer tudo aquilo que viveu de bom com experiências anteriores e passar a se martirizar alimentando os fracassos.
    Gente esqueça. Se não deu certo não era amor!
   Podem ser revoltar, protestar, dizer que estou errado, que para mim é fácil falar, me xingar, enfim.... tais atitudes só mostrarão que além de eu estar certo, você já sabia disso o tempo todo.
    Aquilo que você chamava de “AMOR” que não deu certo pode ter qualquer outro nome: paixão, tesão, pele, desejo, obsessão, orgulho ferido. Algo que você pela primeira vez não conseguiu conquistar, o primeiro não que você ouviu, ou caiu na armadilha do seu próprio jogo de sedução, onde quem usou e descartou foi o outro.
    Façamos uma reflexão...já se perguntou porque não deu certo?
   As respostas com certeza você tinha desde o começo, apenas não admitia ou talvez pensasse que com o seu presunçoso poder de sedução, ou a medida que o outro te conhecesse melhor, poderia reverter a situação a seu favor (?).
    Ainda com todas as respostas, mesmo sabendo que tal envolvimento estaria condenado ao fracasso, ao invés de pegar os sentimentos ainda inteiros e sair fora, preferimos destruí-los numa verdadeira novela mexicana, esquecendo-se que nessa novela nem sempre seremos o galã (esse título  já demos àquele(a) que está nos levando para o fundo do poço) ou a mocinha (vitimismo ?), só sobrou o grande vilão, na maioria das vezes de si próprio.
    E então passamos a ser a maior vitima disso que chamamos de "amor" (?). Aquele sofrimento (que NÓS alimentamos, e não o outro) maior do que o de qualquer outra pessoa na face da terra.
    Deixando de lado os dramas das nossa primeiras relações adolescentes? e as outras? E todos aquelas relações anteriores à destrutiva? Aquelas que deram certo.
    Se você ficar alimentando o passado é porque você ainda o vive, e embora diga que sofra, adora alimenta-lo.
    Sim, nem que tenham sido por um curto espaço de tempo, tais relações, em ao menos alguns instantes, te fizeram feliz ou pontuaram situações que serviriam de referências (felizes) nas relações futuras.
    Desenhando... Seu mundo era preto e branco e você se envolveu com alguém que te deu o amarelo (o que deixou seu mundo mais colorido). Mais tarde você se frustrou com alguém que só te dava cinza. Ao invés de buscar alguém que te dê uma caixa inteira de canetinhas com 24 cores ou uma cartela da Suvinil, prefere ficar lembrando/procurando cinza? Para quê se contentar com pouco? Isso é fetiche, se chama masoquismo!
    E se não for masoquismo eu tenho uma péssima notícia. Ou se aprende a ficar sozinho, ou se busca se informar melhor sobre algo chamado transtorno Boderline.
    Ah, e quanto ao outro, aquele “amor” que não deu certo, talvez tenha lhe feito o maior dos favores quando te disse não, quando se afastou ou quando te desprezou, só resta a você agradecer e fazer o mesmo, não por ele, mas por você. Afinal de contas como diria a cantora Joelma....

 “Tem coisas na vida que a gente não perde, a gente se livraaaaaaa.....”

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Liberte-se...

 
   As vezes é preciso escrever. Mais que isso, é necessário. Colocar no papel faz com que algo se perpetue além das nossas lembranças. Tudo deve ser registrado, tanto o aprendizado das frustrações e decepções quanto às alegrias de sermos surpreendidos pelo mais distante, e cada vez mais raro, momento de alegria que nos preenche. Nos preenche não, nos transborda.

    Nessa última situação, em que nos transbordam aquela alegria ou felicidade contagiante, dizem que não é bom escrever, se expor, afinal os outros podem ficar com inveja, mandarem energias negativas, colocar quebranto. Chega né? O que não falta por aí é gente se lamentando, se fazendo de vitima, na grande maioria das vezes colocando a culpa no outro pela infelicidade que buscou sozinho, sem a ajuda de ninguém.

    Vou ser feliz sim. Vou escrever sobre isso, sim. Vou expor minhas alegrias, sim. Porque ainda tem muita gente que consegue ser feliz com a alegria dos outros.

    De vez em quando me recuso a olhar as redes sociais, tamanha é a competição entre aqueles que se acham mais infelizes ou “sem sorte” que os demais. Só não se dão conta de que nessa competição ninguém ganha nada. Engraçado (ou triste) é que tais pessoas não escrevem nada, apenas compartilham a tristeza (ou o fracasso) alheio daquelas paginas de autoajuda (ajuda?). Talvez se escrevessem o que realmente sentem perceberiam o que estão realmente fazendo a si próprio.

   O ato de escrever é libertador. Tirando o fato de aumentar o raciocinio, o vocabulario, a criatividade e a melhora na forma de se comunicar, a escrita tem o poder de conseguir exteriorizar aquilo que estamos sentindo, da forma como somos, nos vemos ou como nos mostramos aos outros, deixando-nos nús de nossos medos, paranóias e preconceitos (sim, ainda temos).

    Certa vez fiz um exercício. Há alguns anos atras, durante um dia inteiro resolvi anotar, numa folha de papel, minhas mentiras, fofocas, intrigas ou algo que pudessem de alguma forma fazer mal a mim ou principalmente ao outro.

    O resultado foi surpreendente. E vergonhoso. Eu, em toda a minha maturidade moral e/ou espiritual me deparei com as mesmas falhas em que insistia em apontar no outro. 
Pânico. Vergonha. Medo.

    Seria eu também reflexo daquilo que eu vejo? Seguindo o mesmo padrão dos homofóbicos que insistem em matar no outro aquilo que é latente em mim e que insisto em esconder?
Não. Ou continuaria no armário da hipocrisia ou assumiria a mudança. Preferi a segunda opção. A mais difcil. E eu adoro o difícil. Sou movido a desafios, odeio o marasmo, a zona de conforto.

    Durante a ultima semana alguém me lembrou de algo que havia dito há algumas décadas: “Se ninguém te ouve, escreva!”. Há alguns dias usei algo semelhante. Ao perceber a necessidade de alguém se abrir, mas não conseguir (o motivo nunca tem a menor importância), mandei um “Se você não consegue dizer, escreva!” .

    Uma frase escrita pode significar o antes e o depois da vida de alguém, pois ela pode significar não apenas sinais gráficos, mas uma especie de reconhecimento, auto analise. É incrível ser testemunha da evolução, da libertação e maturidade de outra pessoa através de uma simples frase com apenas algumas palavras. Já imaginou como nos sentiríamos ao ver a alegria do outro ao nos libertarmos de alguma forma por meio de uma carta, e-mail, bilhete, mensagem no whatsApp?

    Escrever é um exercício diário.

    E que mania é essa que termos que ter um motivo especifico para escrever algo para alguém?
    Um “oi”, um “durma bem”, ou um “saudades de você”, podem significar bem mais que a mais linda (e extensa) carta de amor copiada no google ou de alguma pagina de auto-ajuda (aquelas que não ajudam em nada).

   Um “me desculpe”, um “sinto muito”, as vezes é bem mais importante ser dito do que ficar extendendo por muito tempo o rancor ou o orgulho por alguém envolvido em algum tipo de mágoa, alimentar o “a culpa foi dele” ou o “EU estou certo”, não irá resolver a situação.

   Por meio da escrita temos a chance de assumir nossa vulnerabilidade, ao invés de nos mostrar frágeis, nos torna humanos, e se você é humano com certeza não será forte o tempo todo, mas isso não te impede de viver, errar e aprender. E o aprendizado, embora na maioria das vezes precise da colaboração de terceiros, pode vir de si próprio. Melhor começar a olhar mais para dentro de si do que o outro né?

    Preste mais atenção em você. Jogar a culpa é outro é bem mais fácil, mas só assumindo os próprios erros, se perdoando e perdoando ao outro é que conseguiremos seguir em frente, livres daquelo peso que na maioria das vezes insistimos em carregar nas costas.

    Essa é a minha forma de me libertar, pra mim escrever funciona.


    Tente. Quem sabe não dá certo....?

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Eles vêm, comem e vão embora. Vêm, comem e vão embora...

       

       Eles vêm, comem e vão embora, vêm comem e vão embora...
    Com essa especie de mantra, a princesa Atta, da animação Vida de Inseto, tenta justificar a constante visita de gafanhotos que vêm à sua colônia retirar o bem mais precioso das formigas, sua reserva de alimentos.
        Na vida real as formigas têm nomes. Os gafanhotos também.
        E eles também vêm, comem e vão embora. Vêm, comem e vão embora. E se eles têm tal atitude é porque alguém os alimenta, não é mesmo?
       Gafanhotos são seres ardilosos, a fim de tirar vantagem de alguém que julga vulnerável ou buscar algo que o satisfaça temporariamente, utiliza de métodos que o outro geralmente busca: beleza, proteção, inteligencia, virilidade, altruísmo. Sempre de forma a chamar a atenção do outro. Utilizando desses métodos, para o restante do reino insecta eles podem parecer verdadeiros líderes, insetos admirados e exemplos a serem seguidos.
      E lá vai a formiga acreditar que o gafanhoto também se importa com ela, que precisa dela, que vive uma relação de mutualismo, mesmo sabendo (sim todos sabem), que o único que tira vantagem dessa situação é o parasita. O gafanhoto.
        E o gafanhoto vai e consegue o que quer. Come e vai embora.
     Coitadinha da formiga, vítima do gafanhoto. Condenada a viver na danação eterna, nesse sofrimento constante da espera do gafanhoto vir e comer, mesmo sabendo que depois ele vai embora. Sempre acreditando que dessa vez o gafanhoto possa ficar.
       Não se esqueça de que para os gafanhotos você é apenas mais uma formiga. Perde a graça, só lembra do seu formigueiro quando percebe que está perdendo o domínio sobre você.
       E nessa especie de zona umbralina não se dá conta de que o tempo, por lá, voa.
Não, né formiga? Pára que tá feio, repetitivo e cansativo. Ninguém aguenta mais esse “mimimi”, na realidade nem o gafanhoto e nem você aguentam mais . E você sabe disso.
     Ninguém ilude ninguém. São as pessoas que se deixam levar pelas palavras que os ouvidos (ou o ego) querem ouvir.
      Os únicos culpados somos nós. Ou será que o outro nos pegou a força e nos obrigou a se envolver pelo seu jogo de sedução? Ou quem sabe nós, na nossa prepotência, em algum momento achávamos que inverteríamos os papéis?
       Já tentou se ser pela perspectiva de outra pessoa?
       O que diria a você mesmo?
       A resposta você já tem. Então diga.
      Em Vida de Inseto, existem apenas duas formas de se ver livre do gafanhoto. A formiga reconhecer a própria força e se libertar do gafanhoto, do qual não precisa para mais nada, ou depender da intervenção do pássaro, único ser capaz de acabar com o gafanhoto de vez.
      Quer um conselho, formiga?
     Tente ser pássaro, pois quando um pássaro aprende a voar, sabe mais sobre coragem que de voo...

Mentira...

       Tem gente que mente.  Tem gente cuja vida é tão mentirosa, que não consegue mais lidar com a verdade.        A gente  mente po...