terça-feira, 26 de julho de 2016

Fragmente-se...

    

    Eita mania que temos em querer viver tudo de forma plena, completa.
Já repararam que a gente nunca consegue ser feliz por completo? E realizado? Amado (ou amar)?
    Parece que completas só temos mesmo nossas tristezas, raivas, angústias, medos, dúvidas, dívidas, mágoas e reclamações.
    Não, ninguém aguenta mais tanta reclamação, nem tanta ostentação.
  Toda polaridade cansa. Essa história de ou se vive de uma forma ou da outra completamente oposta não dá mais.
   A importância que damos a tudo deve depender exclusivamente do momento em que estamos vivendo e não de circunstancias ou conveniências.
   Nada é pleno, nada é absoluto, enquanto insistirmos em algo “cheio” seremos sempre “pouco”, no máximo “metade”. E viver pela metade geralmente significa buscar no outro aquilo que nos completa.
    Não né? Temos que aprender a nos preencher, para que caso apareça outro possamos transbordar. Vai que o outro não aparece? Ou talvez apareça completamente vazio?
    Seria um sonho ter uma penseira (espécie de utensilio utilizado por bruxos na saga Harry Potter onde são armazenados nossas preocupações após retiradas de nossa mente), mas já que não dispomos de tal artefato o jeito é aprendermos a fragmentar algumas emoções que insistem em nos tirar o sono.
    O que me faz feliz?
   A relação do que me faz feliz (ou melhor do que faz os meus momentos felizes) é tão extensa quanto a outra (que me deixa triste, com raiva). Estar com aqueles que eu amo. Namorar. Ler um bom livro. Viajar. ao teatro assistir musicais. Escrever. Trabalhar. Dormir. Estar com os meus amigos. Comer comida japonesa, mexicana, ir na Galeria dos Pães (na realidade acho que comer bem me faz feliz...rs). São coisas que eu amo.
   Descobri que muita coisa me faz feliz, e muito embora eu tenha uma infinidade de desejos a serem realizados, não posso responsabiliza-los pela minha felicidade, pois caso venha a realiza-los, ainda assim não me sentirei completamente feliz (sempre vai faltar alguma coisa), já imaginou se os desejos não se realizarem? Serei infeliz pelo resto da vida? Fragmentei a alegria.
    Mentira. Hipocrisia. Egoísmo. Atraso. Falta de educação. O preço da gasolina. Acordar muito cedo. O custo de vida. São coisas que realmente conseguem me tirar do sério. Mas aprendi a transformar tudo isso em instantes que não conseguiriam me fazer tão mal se os carregassem o tempo todo por onde quer que eu fosse. Fragmentei a raiva.
   É incrível como já vivi tristezas imensas com quem já me proporcionou as maiores alegrias. Tipo aqueles casais, amigos ou irmãos que até ontem não conseguiriam viver separados, e que após algum tipo de desentendimento passam a se odiar, esquecendo tudo o que foi vivido anteriormente. Não, né? Foram felizes sim, e se frustraram, se magoaram sim. Fragmentos de uma relação. Fragmentos de amor. Fragmentos de tristeza. Fragmentos de raiva. Fragmentos de saudade. Fragmentos de crescimento. Fragmentos de maturidade. Fragmentos de felicidade.
    Os fragmentos nos equilibram, se prestarmos atenção estamos sempre tristes com algo, mas felizes com outros. Talvez esse equilíbrio seja o responsável por não surtarmos. Alguém 100% feliz, realizado ou irado, se perde
    Se alguém me perguntasse aos 20 anos quem era meu melhor amigo, a resposta seria diferente dos 30, 35, 36, 40... ou hoje.
   As pessoas surgem exatamente quando precisamos delas naquele momento. Meu melhor amigo hoje não reduz a importância do meu melhor amigo do ano passado, a quem eu continuo amando pela importância fundamental num período fragmentado da minha vida onde ele era quem mais importava. Fragmentei a importância que dou às pessoas (ou a importância que elas têm na minha vida).
   Fragmentar os sentimentos, além de servir para que um sentimento não sobressaia ao outro, serve ainda para que possamos vivê-los com toda a intensidade, nem que seja por um instante, e que esse instante seja intenso a ponto de não nos tornarmos o coitadinho que só lamenta ou o animadinho da auto-ajuda; e vamos combinar? Os dois são chatos pra caramba...

    O segredo é fragmentar...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

“Tem coisas na vida que a gente não perde, a gente se livra .....”

    

    Só existe uma coisa pior do que comparar uma relação à outra: tomar como referência aquela que não deu certo.
    Às vezes a auto estima (?) não está no chão. Está no subsolo. A ponto de esquecer tudo aquilo que viveu de bom com experiências anteriores e passar a se martirizar alimentando os fracassos.
    Gente esqueça. Se não deu certo não era amor!
   Podem ser revoltar, protestar, dizer que estou errado, que para mim é fácil falar, me xingar, enfim.... tais atitudes só mostrarão que além de eu estar certo, você já sabia disso o tempo todo.
    Aquilo que você chamava de “AMOR” que não deu certo pode ter qualquer outro nome: paixão, tesão, pele, desejo, obsessão, orgulho ferido. Algo que você pela primeira vez não conseguiu conquistar, o primeiro não que você ouviu, ou caiu na armadilha do seu próprio jogo de sedução, onde quem usou e descartou foi o outro.
    Façamos uma reflexão...já se perguntou porque não deu certo?
   As respostas com certeza você tinha desde o começo, apenas não admitia ou talvez pensasse que com o seu presunçoso poder de sedução, ou a medida que o outro te conhecesse melhor, poderia reverter a situação a seu favor (?).
    Ainda com todas as respostas, mesmo sabendo que tal envolvimento estaria condenado ao fracasso, ao invés de pegar os sentimentos ainda inteiros e sair fora, preferimos destruí-los numa verdadeira novela mexicana, esquecendo-se que nessa novela nem sempre seremos o galã (esse título  já demos àquele(a) que está nos levando para o fundo do poço) ou a mocinha (vitimismo ?), só sobrou o grande vilão, na maioria das vezes de si próprio.
    E então passamos a ser a maior vitima disso que chamamos de "amor" (?). Aquele sofrimento (que NÓS alimentamos, e não o outro) maior do que o de qualquer outra pessoa na face da terra.
    Deixando de lado os dramas das nossa primeiras relações adolescentes? e as outras? E todos aquelas relações anteriores à destrutiva? Aquelas que deram certo.
    Se você ficar alimentando o passado é porque você ainda o vive, e embora diga que sofra, adora alimenta-lo.
    Sim, nem que tenham sido por um curto espaço de tempo, tais relações, em ao menos alguns instantes, te fizeram feliz ou pontuaram situações que serviriam de referências (felizes) nas relações futuras.
    Desenhando... Seu mundo era preto e branco e você se envolveu com alguém que te deu o amarelo (o que deixou seu mundo mais colorido). Mais tarde você se frustrou com alguém que só te dava cinza. Ao invés de buscar alguém que te dê uma caixa inteira de canetinhas com 24 cores ou uma cartela da Suvinil, prefere ficar lembrando/procurando cinza? Para quê se contentar com pouco? Isso é fetiche, se chama masoquismo!
    E se não for masoquismo eu tenho uma péssima notícia. Ou se aprende a ficar sozinho, ou se busca se informar melhor sobre algo chamado transtorno Boderline.
    Ah, e quanto ao outro, aquele “amor” que não deu certo, talvez tenha lhe feito o maior dos favores quando te disse não, quando se afastou ou quando te desprezou, só resta a você agradecer e fazer o mesmo, não por ele, mas por você. Afinal de contas como diria a cantora Joelma....

 “Tem coisas na vida que a gente não perde, a gente se livraaaaaaa.....”

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Liberte-se...

 
   As vezes é preciso escrever. Mais que isso, é necessário. Colocar no papel faz com que algo se perpetue além das nossas lembranças. Tudo deve ser registrado, tanto o aprendizado das frustrações e decepções quanto às alegrias de sermos surpreendidos pelo mais distante, e cada vez mais raro, momento de alegria que nos preenche. Nos preenche não, nos transborda.

    Nessa última situação, em que nos transbordam aquela alegria ou felicidade contagiante, dizem que não é bom escrever, se expor, afinal os outros podem ficar com inveja, mandarem energias negativas, colocar quebranto. Chega né? O que não falta por aí é gente se lamentando, se fazendo de vitima, na grande maioria das vezes colocando a culpa no outro pela infelicidade que buscou sozinho, sem a ajuda de ninguém.

    Vou ser feliz sim. Vou escrever sobre isso, sim. Vou expor minhas alegrias, sim. Porque ainda tem muita gente que consegue ser feliz com a alegria dos outros.

    De vez em quando me recuso a olhar as redes sociais, tamanha é a competição entre aqueles que se acham mais infelizes ou “sem sorte” que os demais. Só não se dão conta de que nessa competição ninguém ganha nada. Engraçado (ou triste) é que tais pessoas não escrevem nada, apenas compartilham a tristeza (ou o fracasso) alheio daquelas paginas de autoajuda (ajuda?). Talvez se escrevessem o que realmente sentem perceberiam o que estão realmente fazendo a si próprio.

   O ato de escrever é libertador. Tirando o fato de aumentar o raciocinio, o vocabulario, a criatividade e a melhora na forma de se comunicar, a escrita tem o poder de conseguir exteriorizar aquilo que estamos sentindo, da forma como somos, nos vemos ou como nos mostramos aos outros, deixando-nos nús de nossos medos, paranóias e preconceitos (sim, ainda temos).

    Certa vez fiz um exercício. Há alguns anos atras, durante um dia inteiro resolvi anotar, numa folha de papel, minhas mentiras, fofocas, intrigas ou algo que pudessem de alguma forma fazer mal a mim ou principalmente ao outro.

    O resultado foi surpreendente. E vergonhoso. Eu, em toda a minha maturidade moral e/ou espiritual me deparei com as mesmas falhas em que insistia em apontar no outro. 
Pânico. Vergonha. Medo.

    Seria eu também reflexo daquilo que eu vejo? Seguindo o mesmo padrão dos homofóbicos que insistem em matar no outro aquilo que é latente em mim e que insisto em esconder?
Não. Ou continuaria no armário da hipocrisia ou assumiria a mudança. Preferi a segunda opção. A mais difcil. E eu adoro o difícil. Sou movido a desafios, odeio o marasmo, a zona de conforto.

    Durante a ultima semana alguém me lembrou de algo que havia dito há algumas décadas: “Se ninguém te ouve, escreva!”. Há alguns dias usei algo semelhante. Ao perceber a necessidade de alguém se abrir, mas não conseguir (o motivo nunca tem a menor importância), mandei um “Se você não consegue dizer, escreva!” .

    Uma frase escrita pode significar o antes e o depois da vida de alguém, pois ela pode significar não apenas sinais gráficos, mas uma especie de reconhecimento, auto analise. É incrível ser testemunha da evolução, da libertação e maturidade de outra pessoa através de uma simples frase com apenas algumas palavras. Já imaginou como nos sentiríamos ao ver a alegria do outro ao nos libertarmos de alguma forma por meio de uma carta, e-mail, bilhete, mensagem no whatsApp?

    Escrever é um exercício diário.

    E que mania é essa que termos que ter um motivo especifico para escrever algo para alguém?
    Um “oi”, um “durma bem”, ou um “saudades de você”, podem significar bem mais que a mais linda (e extensa) carta de amor copiada no google ou de alguma pagina de auto-ajuda (aquelas que não ajudam em nada).

   Um “me desculpe”, um “sinto muito”, as vezes é bem mais importante ser dito do que ficar extendendo por muito tempo o rancor ou o orgulho por alguém envolvido em algum tipo de mágoa, alimentar o “a culpa foi dele” ou o “EU estou certo”, não irá resolver a situação.

   Por meio da escrita temos a chance de assumir nossa vulnerabilidade, ao invés de nos mostrar frágeis, nos torna humanos, e se você é humano com certeza não será forte o tempo todo, mas isso não te impede de viver, errar e aprender. E o aprendizado, embora na maioria das vezes precise da colaboração de terceiros, pode vir de si próprio. Melhor começar a olhar mais para dentro de si do que o outro né?

    Preste mais atenção em você. Jogar a culpa é outro é bem mais fácil, mas só assumindo os próprios erros, se perdoando e perdoando ao outro é que conseguiremos seguir em frente, livres daquelo peso que na maioria das vezes insistimos em carregar nas costas.

    Essa é a minha forma de me libertar, pra mim escrever funciona.


    Tente. Quem sabe não dá certo....?

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Eles vêm, comem e vão embora. Vêm, comem e vão embora...

       

       Eles vêm, comem e vão embora, vêm comem e vão embora...
    Com essa especie de mantra, a princesa Atta, da animação Vida de Inseto, tenta justificar a constante visita de gafanhotos que vêm à sua colônia retirar o bem mais precioso das formigas, sua reserva de alimentos.
        Na vida real as formigas têm nomes. Os gafanhotos também.
        E eles também vêm, comem e vão embora. Vêm, comem e vão embora. E se eles têm tal atitude é porque alguém os alimenta, não é mesmo?
       Gafanhotos são seres ardilosos, a fim de tirar vantagem de alguém que julga vulnerável ou buscar algo que o satisfaça temporariamente, utiliza de métodos que o outro geralmente busca: beleza, proteção, inteligencia, virilidade, altruísmo. Sempre de forma a chamar a atenção do outro. Utilizando desses métodos, para o restante do reino insecta eles podem parecer verdadeiros líderes, insetos admirados e exemplos a serem seguidos.
      E lá vai a formiga acreditar que o gafanhoto também se importa com ela, que precisa dela, que vive uma relação de mutualismo, mesmo sabendo (sim todos sabem), que o único que tira vantagem dessa situação é o parasita. O gafanhoto.
        E o gafanhoto vai e consegue o que quer. Come e vai embora.
     Coitadinha da formiga, vítima do gafanhoto. Condenada a viver na danação eterna, nesse sofrimento constante da espera do gafanhoto vir e comer, mesmo sabendo que depois ele vai embora. Sempre acreditando que dessa vez o gafanhoto possa ficar.
       Não se esqueça de que para os gafanhotos você é apenas mais uma formiga. Perde a graça, só lembra do seu formigueiro quando percebe que está perdendo o domínio sobre você.
       E nessa especie de zona umbralina não se dá conta de que o tempo, por lá, voa.
Não, né formiga? Pára que tá feio, repetitivo e cansativo. Ninguém aguenta mais esse “mimimi”, na realidade nem o gafanhoto e nem você aguentam mais . E você sabe disso.
     Ninguém ilude ninguém. São as pessoas que se deixam levar pelas palavras que os ouvidos (ou o ego) querem ouvir.
      Os únicos culpados somos nós. Ou será que o outro nos pegou a força e nos obrigou a se envolver pelo seu jogo de sedução? Ou quem sabe nós, na nossa prepotência, em algum momento achávamos que inverteríamos os papéis?
       Já tentou se ser pela perspectiva de outra pessoa?
       O que diria a você mesmo?
       A resposta você já tem. Então diga.
      Em Vida de Inseto, existem apenas duas formas de se ver livre do gafanhoto. A formiga reconhecer a própria força e se libertar do gafanhoto, do qual não precisa para mais nada, ou depender da intervenção do pássaro, único ser capaz de acabar com o gafanhoto de vez.
      Quer um conselho, formiga?
     Tente ser pássaro, pois quando um pássaro aprende a voar, sabe mais sobre coragem que de voo...

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Outra pessoa nunca será a solução, para nada.....


   

     Eis que vinham duas amigas tentando consolar uma terceira que estava em prantos após descobrir que pela terceira (ou quarta ou quinta) vez, foi traída pelo namorado.

  • Se eu fosse você pagava na mesma moeda, chifre trocado não dói! Disse a primeira.
  • Nãoooo, que horror, não se iguale a ele. Termine e arrume outro melhor. Nada como um amor para curar outro! Sugeriu a segunda
  • Tá, então não precisa trair, arrume um cara bem gato para provocar ciúmes! Retrucou a primeira.
  • Ele deve ter me traído por que nosso namoro caiu na rotina! Tentava justificar a dona do chifre.

    Gente, na boa? Eita mania de sempre tentar encontrar justificativas externas para matar seus desejos, frustrações e afins. Tá na hora de começar a assumir suas responsabilidades, né?

       A solução para rotina num relacionamento? Outra pessoa!!!
       Provocar ciúmes? Outra pessoa!!!
       Pagar uma traição na mesma moeda ? Outra pessoa!!!
       Esquecer um grande amor? Outra pessoa!!!

      Sempre fui daqueles que procuram de todas as formas evitar a todo custo qualquer tipo de rotina nos meus relacionamentos, algumas vezes consegui, outras não. A tal teoria do beijo ajuda muito ( http://edessejeitoquepenso.blogspot.com/2012/07/teoria-do-beijo.html), mas não basta.
    Inicialmente temos que aprender que NUNCA, uma relação terá o mesmo fogo, a mesma empolgação que no inicio. Óbvio né? No começo das relações estamos tão empenhados em vender a imagem de que valemos a pena quanto em conquistar o outro. Após confirmada a conquista relaxamos, achamos que já está ganho e que não precisamos mais conquistar o outro. ERRADO. Ou você sai fora (e geralmente se arrepende depois) ou parte para a conquista diaria( de outro, ou outros).       E prepara-se é um trabalho duro, nem todos estão dispostos a manter essa conquista diariamente. Preferem (ou acham mais facil) começar tudo de novo.
     Quando a escolha pela segunda opção é decidida por carência afetiva, vaidade ou fogo no rabo, o resultado pode ser bem mais perigoso (quem assistiu Atração Fatal, sabe do que estou falando).
     Qualquer pessoa que surja em nosso caminho nessas situações acabam por nos mostrar algo novo (e quase sempre perigoso). Oferecem mesmo que tivemos no começo das nossas relações (o frio na barriga, a boca seca, coração acelerado ao toque do telefone) mas que deixamos de alimentar, o irônico é que se alimentassemos diariamente essas relações, não sentiríamos falta de procurar fora, ou seja, não foi a relação que esfriou, fomos nós. Sim, você que não percebeu, ou se percebeu achou bem mais facil procurar alguém fora, do que enfrentar a situação com alguém que você supostamente ama ou confia.
    Quando a rotina aparece A SOLUÇÃO NÃO É OUTRA PESSOA, é você acabar com sua covardia em assumir o que você quer, ou não!!!

      Caso você insista em não assumir que sua relação esteja desgastada e que precisa imediatemente de uma DR (Sim, elas são fundamentais), você corre o sério risco de entrar numa carência, não de alguém que leve a loucura na cama, mas de alguém que te mande um whatsapp perguntando como foi o seu dia, te olhe nos olhos sem dizer nada ou te elogie como há anos seu parceiro deixou de elogiar.
    A carência afetiva (http://edessejeitoquepenso.blogspot.com/2012/06/culpa-e-da-carencia.html), talvez seja a que mais provoque armadilhas.
       E lá vai você procurar fora da relação aquilo que o seu parceiro nunca lhe deu e que você sempre teve esperança de que, como um milagre da Virgem de Guadalupe ele passasse a oferecer do nada.  Então você encontra alguém que te ofereça o X que falta na sua relação, enquanto que o seu parceiro atual de oferece o Y, W, Z.... quando der por si você estará tão perdido que ficará sem qualquer letra do alfabeto.
      Ou então, ainda na esperança de que a Virgem de Guadalupe faça o milagre, você resolve esperar que o outro mude e te dê ou retribua toda a atenção que você dá, e decide que se o outro sentir ciúmes talvez ele te valorize um pouco mais, com medo de perder para outro.
Entra em ação aquele(a) amigo(a) lindo(a) que nem você e nem a grande maioria dos mortais teria chance de se relacionar, mas que no momento é a pessoa ideal para fazer ciúmes para o seu parceiro ou matar as inimigas de inveja.

       Nesse caso meu amigo, você está sujeito a três situações
        1 – Se apaixonar pelo “amigo-lindo-que-só-está-fazendo-um-favor” e não ser correspondido.
      2 – Ficar sem o parceiro atual, que vai terminar com você (nem sempre por achar que você é capaz de namorar com alguém tão lindo, mas que pode ter sido capaz de trai-lo),
      3 – Ser ridicularizada quando descobrirem que o “amigo-lindo-que-só-está-fazendo-um-favor”, de que você se gabava estar interessado em você, na realidade nunca nem segurou sua mão.

      Quando se trata de carência afetiva ou fazer ciúmes, a SOLUÇÃO NÃO É OUTRA PESSOA, é você melhorar a sua auto-estima que está mais baixa que os trilhos do metrô


       Pagar uma traição na mesma moeda ?

      Não sou (nem nunca fui) santo, aliás nem acredito que existam pessoas com tal comportamento, se alguém se julgar como tal, fuja.
      Já traí sim, e embora tal ideia não passe pela minha cabeça novamente, não seria hipócrita (odeio) a ponto de dizer que jamais faria isso novamente, acho muito pouco provável que isso aconteça algum dia, mas “nunca farei isso” é algo que aprendi ser como uma mensagem subliminar que diz: “se prepare que um dia eu faço...”
    Sim, já fiquei com pessoas por carência fisica, afetiva (a pior delas) ou simplesmente para esquecer o outro (o que fez o efeito inverso me trazendo ele à mente o tempo todo, me senti sujo).

    Quando se trata pagar uma traição na mesma moeda, a SOLUÇÃO NÃO É OUTRA PESSOA, é você aprender que pagar da mesma forma não vai te ajudar a superar em nada o chifre tomado, só vai te fazer exatamente igual ao outro que você tanto reclamou ter te feito de trouxa.


      Esquecer um grande amor?

    Não há nada errado em conhecer alguém que te faça bem a ponto de esquecer (mesmo que momentaneamente) um ex. Aliás, porque deveríamos esquecer alguém que durante determinado tempo deu tão certo e nos fez tão bem (às vezes)?
      O problema se resume a duas palavras: expectativa e comparação.
     Independente do tempo que durou a relação anterior, é necessário cortarmos o cordão umbilical que nos ligava a ela.
    Aprender a seguir sozinho pode muitas vezes ser bem dificil, outras vezes pode ser um alivio (vamos lembrar que nem todas as relações são um mar de rosas, mas como toda separação, dói), o tempo de re-adaptação é fundamental (para uns pode ser de dias, para outros meses ou anos, cada um tem o seu) , a introspecção é libertadora.
    Ao conhecer uma nova pessoa, não há como fugir da comparação (positiva ou negativa) que o outro nos trás, temos o péssimo hábito de criar um modelo pré-estabelecido daquilo que vou querer daqui para a frente. Se o anterior me fez isso, o próximo terá que ser diferente.
    Quando encontramos alguém que aparentemente se encaixa dentro desse padrão, o beijo é diferente do outro (melhor? Pior? Não sei, mas não é a mesma coisa), ele dorme do lado direito, o outro só dormia do esquerdo, etc.
       Não né? Se for pra comparar , melhor voltar para o ex!!!
       E quando dá certo? Aí tudo são flores. Que bom , ufa, agora vai, talvez esse seja o cara certo!!!
      Não, péra, e se ele não tiver o mesmo interesse que eu, e se ele só quiser me comer, não quiser casar? e se ele não me deixar ir pra balada? Não gostar dos meus amigos? Meu ex não era assim, porque me separei dele? queria tanto voltar, será que ele me quer de volta?
       Pára, que tá feio!!!!

      Para esquecer um grande amor, a SOLUÇÃO NÃO É OUTRA PESSOA, é aprender a amar a si próprio!!!

      Outra pessoa nunca será a solução, para nada.....

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Só quem ama confia (?)...

 
     Imaginem a seguinte situação:
    Após algum tempo de namoro, você começa a desconfiar que está sendo traído. Após algum tempo você passa a observar que o outro, a todo tempo, te dá indicios de que não se trata de uma “simples” traição, mas de um envolvimento afetivo. São palavras, gestos, silêncios...
  As mensagens subliminares são tão claras que, mesmo sem querer (ou subestimando a sua inteligência), você percebe (afinal de contas anos de convivio também servem para que você conheça seu companheiro mais do que ninguém) que realmente tinha razão com relação às desconfianças.           Começam as mentiras, as indiferenças, a falta de interesse, e de repente o terceiro elemento passa a conviver na sua relação. Durante o jantar, nas viagens, na sua própria cama.
    E quando você pergunta, está tudo bem, ou é coisa da sua cabeça. Sexo, carinho, afeto passam a ser cada vez mais raros, a presença (não a física) é cada vez mais ausente.
    E aquele trato de que se algum dia aparecesse alguém conversaríamos a respeito?
    É quando se percebe que o tal envolvimento é destrutivo, mais para o outro do que para você!
    O que fazer nessa hora? Gritar bem-feito? Tripudiar? Rir?
   Espere um pouco, como é que se ri ou se tem prazer em ver o sofrimento daquele que até ontem diziamos que amávamos? vai me dizer que o amor passou da noite para o dia?
    De repente você percebe que o outro, mesmo que em silêncio, implora por ajuda. Está perdido, quer que você de alguma forma o ajude.
   É uma mistura de sentimentos culpa por ter traído quem o ama, raiva por ter sido usado por alguém, sentir-se obrigado em ter que escolher entre a razão e a emoção (ou amor e tesão), entre o certo e o duvidoso.
   Durante esta semana essa situação me veio à mente após algumas situações. Uma amiga e eu discutimos por horas sobre confiança nos relacionamentos, um leitor do blog me sugeriu uma postagem com o tema traição x confiança, e na novela A Regra do jogo, o assunto também foi abordado.
   Mas voltando ao assunto, quando se percebe que o outro tem alguém fora da relação, talvez a melhor atitude (inicialmente) seja dar a ele todas as chances de contar a verdade. Mas é claro que isso não acontece.
    Então você pensa que pode ser algo passageiro, ao qual não mereça muita importância. Errado
   A partir daí surgem algumas opções:
1 – Dar o troco na mesma moeda;
2 – Terminar;
3 – Gritar bem-feito;
4 – Perdoar
     Escolheria a ultima opção. Pelo simples fato de me colocar no lugar dele. Além do que se escolhesse as opções 1 ou 3, seria tão FDP quanto.
   Se fosse para ele ser feliz com outra pessoa, tudo bem. Me serviria de consolo.
   Mas ao ver tanto sofrimento, percebo que talvez essa seria a única forma de aprendizado. Talvez venha a vontade de gritar : Meu, sai fora, você não percebe que não dará certo, parta para outra. Você não é vítima, sabia onde estava se metendo, o tempo todo estava consciente dos riscos que corria.
Ou talvez em chegar até a terceira pessoa e falar: fique com ele ou vá embora de vez, mas para de brincar com ele. Nada disso adiantaria.
    Aí você termina. Termina na esperança de que o outro se sinta menos culpado e que isso o faça se sentir melhor.
Trouxa?
Idiota?
Santinho?
Diferentona?
Espiritualmente elevado?
     Não, nenhuma coisa nem outra. Basta apenas se colocar no lugar do outro. Todos corremos o risco de após um longo periodo de relacionamento nos encantarmos por outro que nos ofereça algo além daquilo que estamos acostumados diariamente.
    Nossa vaidade nos empurra a qualquer um que enalteça nosso corpo, nossa inteligencia, nosso jeito de ser, e infelizmente não temos como saber quais são as intenções por tras de tantos elogios e galanteios.
    Sempre esperamos mais, a comparação é inevitavel. Vem aquela sensação de que a relação está desgastada, que já caiu na rotina, ou que o amor passou, não é mais aquele do começo (mas é logico!!!)
   Um amigo muito querido me disse certa vez que, quando namoramos a algum tempo, qualquer paquera se transforma no grande amor da nossa vida. Se não deu certo com esse, pode ser que dê certo com o próximo, só depende do outro não ter aprendido nada e insistir na busca de outros que alimentem a sua vaidade.
    Mas e a confiança? Como voltar a confiar em alguém que dizia estar em casa e você saber que estava com outro? Não tem receita do bolo. Uma vez que se perdoa (de verdade) o passado fica para trás, se ainda rola desconfiança o perdão não foi sincero e é melhor se afastar, não conviver, pois no primeiro toque do whatsapp a desconfiança pode vir à tona, trazendo toda a situação vivida anteriormente.
    Confiar não é algo cego, é algo raciocinado, é acreditar que o outro aprendeu com a situação e que fará o possível para que a mesma não ocorra, e caso venha a acontecer novamente, o comportamento será outro, afinal acho dificil alguém querer passar por uma situação dolorosa mais que uma vez.
   Temos que deixar de acreditar que as relações humanas são todas baseadas em histórias de principes encantados. Se não derem certo que ao menos ambos aprendam com a situação, afinal , como dizem os budistas, a única forma de aprendizagem é através do sofrimento, e se ainda assim, após a lição, continuar sofrendo é porque não aprendeu nada, e a lição será repetida até que o aprendizado tenha êxito.
    E lembre-se, nada garante que amanhã ou depois eu também possa passar pela mesma situação que o outro.... E não se esqueça, também pode acontecer com você que durante a leitura me chamou de idiota.....
   E se você acha que pelo fato de estar solteiro está imune a esse tipo de situação, sinto muito, amigos também traem, e se você os ama de verdade o quanto diz, também vai perdoar....



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Vivendo e aprendendo a jogar...


     Então eu fiz 42 anos. Não me sinto (e nem sou obrigado a me sentir) com 42 anos. Porquê deveria?         Como deve agir alguém com 42, 10, 60 ou 90 anos? Odeio seguir a massa, ter que me enquadrar dentro de um parâmetro imposto sei lá por quem. As vezes quero (e tenho todo o direito) de me comportar como uma criança, ou um adolescente ou ainda um idoso. Porque eu sou tudo isso.
     Uma amiga muito querida vira e mexe me pergunta quantos anos eu tenho (segundo ela, devido ao meu conhecimento sobre assuntos diversos e à minha sede de conhecimento), outro me disse que tenho uma “alma velha”.
    Aos 22 anos de idade passei por uma EQM (expriencia de quase morte). Num periodo de uma semana foram 6 transfuões de sangue, fraldas, sondas nasogastricas e 8kg perdidos. O medicos disseram que não iria para a cirurgia pois não havia nada a ser feito.  Foi preciso chegar àquela situação pra eu dar tempo ao tempo, passei a observa-lo. De certa forma ele me cobrava, mas eu, sem tempo pra ele, achava que não precisava. Aprendi que existe algo chamado limitação.
     Pensei que não teria mais tempo. Para nada. Não teria tempo de pedir perdão a quem havia magoado (primeiro tive que reconhecer que magoava), não teria tempo de me perdoar, de dizer que amava, de dizer que não gostava, de amar (1, 2, 3 ou mais vezes e cada uma mais intensa que a outra), tive medo de não encontrar aquele alguém que ficaria comigo pelo resto da vida, tive medo de não ser pai (mesmo que “torto”), tive medo de não sofrer, rir, chorar , ficar feliz. Tive medo de não sentir.
    Encarei minha recuperação como uma oportunidade de valorizar (e aceitar) tudo aquilo que tive medo de perder. E a aproveitar TUDO o que acontece como forma de crescimento. Desde então me recuso a perder tempo reclamando do ruim ou me prendendo ao maravilhoso. Aprendi a amar da mesma forma que aprendi a desapegar.   É um exercicio contínuo, onde você começa a filtrar e absorver o que te faz bem e a tirar como aprendizado aquilo que te faz mal. Por falar nisso, também aprendi que o mal pode fazer bem. O único mal que pode me afetar é aquele que faço a mim meso
    Decidi viver cada segundo como se fosse o ultimo, a aproveitar cada momento, cada pessoa, cada sentimento, afinal ainda estou vivendo um bônus. A busca por (auto) conhecimento é constante. A vida é um jogo, já dizia Elis Regina, "nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas.... aprendendo a jogar..."
    O tempo é um só, ele começa quando você nasce e termina quando se morre. O resto é intervalo. Temos a ilusão de vivermos longos anos, sem darmos conta de que é um periodo único. O calendário, a divisão do tempo em anos, meses, horas só tem duas funções: lembrar quando é a hora de descansar e que temos muita coisa a realizar “para ontem”, e que ainda não temos tempo. Essa divisão só serve para nos acelerar ainda mais.
    O tempo virou um dos nossos maiores desafios. Ou corre-se contra ele, ou se deseja que ele passe o mais rápido possível.
    Também serve como desculpa para começar a fazer algo na segunda-feira, mudar de vida no ano seguinte, ou não ver a hora de esse ano acabar logo. Porquê não fazer isso agora, para que ficar empurrando com a barriga, esperando que esse tempo faça o que cabe a você fazer?
    Sem atitude alguma, ou tomar as responsabilidades da sua vida, o ano novo vai mudar apenas na folhinha do calendário. E quando cair por si, lá vem você dizer que o tempo voou e que VOCÊ ainda não fez nada...

Mentira...

       Tem gente que mente.  Tem gente cuja vida é tão mentirosa, que não consegue mais lidar com a verdade.        A gente  mente po...