segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Desapega...

     


    Nesse ultimo mês dois livros que li me chamaram a atenção em um mesmo assunto. O desapego. Poderia jurar, até então, que era praticante do desapego. Estava errado.
     É incrivel como sempre relacionamos a questão do apego à matéria. Somos apegados às roupas, às pessoas, ao automóvel ao dinheiro, etc.
     Mas como fica o desapego às ideias? As opiniões de terceiros? À mesmice?
    Às vezes é necessario colocarmos em xeque aquilo que me atrevo a chamar de “desapego emocional ou afetivo”. Seria o mesmo que você cair na real e aceitar a ideia de que, embora sempre tenhamos conhecimento do fato, aceitemos que não vivemos no País das Maravilhas e que (parafraseando Renato Russo) esse mundo não é perfeito e que todas as pessoas não são felizes.
    Que mania é essa de acreditar que a felicidade depende de algo externo? Que insistencia é essa em deixar a responsabilidade do nosso bem-estar nas mãos do outro? Talvez por que seria mais facil colocar a culpa em alguém pelos nossos fracassos, do que assumi-la?
    Sem ao menos nos darmos conta nascemos, crescemos, vivemos e envelhecemos de acordo com a expectativa alheia. Minha família espera que eu faça isso, a sociedade que eu faça aquilo. E não adianta falar que “comigo é diferente”, que “esse é o meu jeito”. Mentira. Isso se chama hipocrisia. E o pior, exigimos tanto do outro, quanto ele de nós.
    A frustração, a desilusão vem justamente quando o outro não corresponde a qualquer uma de nossas expectativas.
    A única maneira para não sofrer com tais frustrações e DESAPEGAR, não esperar nada do outro. E aprender a aproveitar o que o outro oferece agora. Que mania é essa de planejar o futuro de acordo com o que você pensa? Já percebeu que quando planejamos algo é sempre como EU acho que deve ser? Lembre-se: o mundo não gira ao seu redor.
    Não tem jeito, ou se aprende a desapegar ou se frusta a cada vez que o “mundo não conspirar a seu favor”.

       Eu preferi desapegar!!!!

domingo, 24 de março de 2013

O direito de quebrar a cara...




            Hoje eu ajo de uma forma pela qual alguns me chamam de pratico,  outros de insensível.   Acho que me tornei prático, as pessoas e/ou frustrações causadas por elas nos tornam “práticos”. Ou patéticos.  A diferença entre um e outro está em aprender a como seguir diante da primeira frustração amorosa.   

Pra mim, se não deu certo uma vez, esquece, não adianta insistir no erro.  Ficar se lamentando, achando que ninguém nunca mais vai te querer, que perdeu a pessoa da sua vida, a cada termino de namoro, não dá!!! 

                Quem sofreu com algum lixo, da aprende a reciclar o coração, nunca o lixo.

                Já escrevi sobre isso, onde mesmo sabendo que o outro não vale nada, ao terminar algumas pessoas se sentem culpadas.

Só se frustra novamente, quem não aprendeu nada com as frustrações anteriores.  Não existe um ditado que diz: “Decepção não mata, ensina a viver!!!” ?

Todo mundo passa por aquele momento na vida em que se envolve com alguém “errado” para a sociedade, mas “perfeito” pra quem o ama, ou pensa que ama.

Na realidade acho fundamental  quebrar a cara com quem não valha à pena, ao menos uma vez na vida, só assim aprendemos a NOS valorizar numa relação futura.

Essa história de amar o outro mais que a si próprio não dá certo.  Que carência ou pseudo-amor, ou sexo bom é esse,  que não nos deixa enxergar quem o outro realmente é?

Cada um dos indícios de o outro não vale nada estão na nossa frente, os amigos tentam nos alertar, a própria pessoa nos demonstra diariamente que não vale o investimento, mas não adianta, insistimos em não enxergar.  Ou pior, fingimos que não vemos.  A cada deslizada do outro sofremos, damos um tempo, terminamos.

O término dura o tempo necessário para arrumarmos uma desculpa para voltarmos, mesmo não acreditando nela.  As vezes queremos tanto acreditar em algo, que fazemos da mentira que vivemos, uma imensa “verdade”, afinal a verdade é algo em que acreditamos, mesmo com todos ao redor tendo a tem certeza de ser uma grande mentira.

E até que ponto, nós, que estamos de fora, temos o direito de (tentar) abrir os olhos daquela pessoa querida que vive essa mentira?

Eu sei, a vontade é de sacudir o outro, faze-lo acordar para a situação.  O problema é que ele insiste em dormir, continuar sonhando, e ainda por cima corremos o risco de perder o amigo. Se bem que não há necessidade de tais criticas, o outro se já se culpa o suficiente,  pois sabe que estamos certos, só não dá o braço a torcer.

É terrível a sensação de  não querermos frustrar o outro com a verdade, sabendo que ele se frustrará com a mentira.  Ainda prefiro uma verdade tristonha à mentira risonha, mas isso não é uma regra.  A regra básica é respeitar as atitudes do outro, e torcer para estarmos errados. 

Se hoje sou pratico como dito no começo do post, é porque também quebrei a cara, também tive amigos que tentaram me abrir os olhos, e também não os ouvi.  Mas isso foi apenas uma vez, aprendi de primeira.  Não aprender na primeira, nem na segunda, nem na terceira...

O outro tem todo o direito de quebrar a cara, e a nós só nos resta estarmos por perto, torcendo para estarmos errados, mas se estivermos certos, estarmos prontos para ajudar àquele amigo tão querido a juntar os cacos...

sábado, 16 de março de 2013

Ah...o preconceito...






O direito de um termina onde começa o doutro, correto?  Errado!

Todo mundo tem o direito de ser feliz, correr em busca de realizar os seus sonhos.  Infelizmente para alguns você só pode conquistar esses sonhos, caso não vá de encontro ao que eles pregam, filosofias que têm como a verdade suprema.

Que atire a primeira pedra aquele que não tem nenhum tipo de preconceito. Eu tenho.  

O que as pessoas não entendem é que o preconceito, por ser muito pessoal, deve pertencer única e exclusivamente a quem os tem. Os meus preconceitos pertencem só a mim. 

                Se não gosta de negro, não case com negro, só não precisa sair por ao falando que são descendentes amaldiçoados de Noé. Não gosta de nordestino, índio, etc. Fique na sua, não saia por aí tocando fogo nos mesmos.

                Uma amiga muito querida me disse  certa vez, que quando pequena as outras crianças procuravam algum motivo para humilha-la, já que era a mais inteligente e a mais bem sucedida da sala.  Como não encontraram motivo, decidiram falar mal do cabelo dela.  Como se apena negros tivessem cabelo crespo.  Ou o “cabelo de preto”.

                O preconceito (exteriorizado) machuca até aqueles que não vivem na condição de vitima em potencial.  Há algum tempo atrás no interior de São Paulo, um rapaz estava junto de um senhor, quando se abraçaram e se beijaram um, o rosto do outro.  Um grupo de idiotas que passava por perto não pensou duas vezes, e os espancaram ao som de “viados”, “bichas filhas-da-puta”.  Não era pegação. Era um pai heterossexual, dando um beijo no seu filho heterossexual.

                Certa vez, viajando pelo nordeste com meu sobrinho adolescente, percebi alguns olhares  me acusando de pedofilia, achei melhor não tirar foto abraçado ao meu sobrinho, vai que por lá acontecesse algo semelhante.

                Todo ano, nos EUA acontece uma marcha do orgulho branco.  Algumas pessoas se chocam com tal atitude, mas por lá tudo bem, afinal trata-se de uma democracia, onde todos se respeitam, inclusive os que uns pensam dos outros.  Confesso que e certa forma eu os admiro. O PIOR PRECONCEITO É O VELADO. Inclusive para si próprio, pois só ao assumirmos nossos preconceitos, teremos como enfrente-los a fim de que possamos viver em harmonia com o meio.

                É ridículo no Brasil, a necessidade da criação de Leis que garantam os direios das “minorias”, ter que se criar uma Lei “Afonso Arinos”, “Maria da Penha”, “Estatuto do Idoso”, e quem sabe a Lei contra a homofobia.  O discurso dos “politicamente corretos” é o de que não ha necessidade,  ja que a  Constituição Federal garante que todos são iguais perante a lei. HIPOCRISIA. Acredito se todos realmente fossem tratados iguais perante a Lei não haveria a necessidade da criação de Leis especificas.  Que na pratica, sabemos que não funciona.  Quem já ouviu dizer que alguém declaradamente racista tenha cumprido alguma pena alem da distribuição de cestas básicas?

                Pior ainda é o auto-preconceito.   Aqueles que culpam qualquer coisa que dê errado pela condição que vivem.  Ao invés de correrem atrás dos seus objetivos, preferem ficar sentados se fazendo de vitima da sociedade.  Os que pensam dessa forma não têm direito nenhum de reclamar dos outros que venham a ter preconceito.

                Não adianta.  Ou aprendemos a trabalhar e a conviver com os nossos preconceitos, ou ficamos trancados em casa pelo resto da vida, pois o negro não virará branco (ao contrario do que sonhava Monteiro Lobato no livro “O príncipe Negro”), o gay não virará hétero (embora haja algumas religiões que insistam nesse milagre) apenas pela sua vontade.  Ninguem pode tornar-se diferente daquilo que é.  E nem deve...

                Se alguém me chamar de gay, preto, bahiano, ou down na tentativa de me ofender, vai quebrar a cara.  Defeito, na minha opinião, é bem mais que isso...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O amor não imuniza ninguém...





No ultimo sábado (1º de dezembro) foi “celebrado” no mundo todo, o dia mundial de luta contra a AIDS.
Dentre tudo o que foi questionado ou revelado com relação a doença, o que mais me chamou a atenção foi a informação do Ministério da Saúde revelando que metade nos novos casos de HIV/AIDS, são de jovens entre 15 e 24 anos.               
As desculpas são as mais diversas possíveis. A única desculpa que ninguém se atreve a utilizar é a falta de informação.  Afinal, nos dias atuais, onde tudo, inclusive a informação é on line, todos sabem como evitar essa e outras doenças(não vou mencioná-las, afinal estamos falando “apenas” de HIV/AIDS) .
 Sou de uma geração que perdeu seus maiores idolos na luta contra a doença, que enterrou amigos, uma geração que foi preconceituosa, que chamou a doença de “Peste Gay” (se bem que isso não mudou muito),  essa mesma geração aprendeu após enterrar alguns, de sensibilizar com Cazuza, que a única forma de prevenção é o uso de preservativo. 
Logo vieram os medicamentos e a coisa começou a mudar.  Esqueceu-se do problema. HIV/AIDS só é discutido no inicio de dezembro e durante o carnaval.  Como se a doença só se manifestasse nesses períodos.  Enquanto ficamos em silencio ela contamina cada vez mais gente.
Foi o que ouvi no relato de alguns jovens pesquisados:
Ouvi dizer que a AIDS não mata mais, virou doença cronica, que se você for contaminado, basta apenas tomar alguns comprimidos”. Nem imagina os efeitos devastadores que alguns medicamentos podem causar, ou ainda se tais medicamentos possam fazer efeito ou não...
“Parei de usar preservativo com meu namorado quando a relação ficou seria, quando já o conhecia o suficiente para confiar nele”.  Perguntei a quanto tempo se relacionavam antes de abolirem o uso do preservativo.  “Dois meses”.  Dois meses já são suficientes para conhecer a pessoa?  Sim, nós nos amamos”.  Fizeram o teste antes de deixarem a camisinha de lado? “Não precisa, nós confiamos um no outro, e nenhum dos dois tem a doença”.  E como você sabe? “Olha pra gente, nós temos cara de quem tem AIDS?”
Nesse momento minha única opção foi a terapia de choque, apresentei ao casal dois portadores da doença que a alguns anos atrás pensavam da mesma forma que eles, e hoje um tem dificuldade de andar (devido à toxoplasmose) e a outra tem deformações espalhadas pelo corpo devido a lipodistrofia.  Os jovens ficaram em estado de choque.  Espero que tenha funcionado.
Estou falando de jovens, mas infelizmente isso não cabe somente à eles.  Irresponsabilidade não tem idade.
Ainda tem gente que por amar (ou achar que ama) passa por cima da sua própria vida para agradar o outro.  Se não está preocupado com o outro, está na hora de se preocupar com si próprio. 
Não sou eu que vou questionar, ou julgar, quando o casal deve banir o uso do preservativo na relação.  Mas é bom saber que pode ter uma conseqüência, e depois não adianta jogar a culpa no outro, você não é vitima, não é coitadinho pois tinha como reverter essa situação, mas, em nome do amor, acabou aceitando tal situação, só que infelizmente amor só cura os males sentimentais, os físicos são tratados com uma terapia bem mais agressiva...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Eu odeio o silencio...





EU ODEIO O SILENCIO.

Não o silencio do sossego, mas o silêncio da expectativa.  O silencio dos filmes de suspense que você está cansado de saber que logo em seguida vira o susto, e ainda assim você cai na armadilha.  Odeio o silencio antes do sorteio, o silencio antes de o jogador bater o pênalti, o toque de silencio...
Ainda assim prefiro esses silêncios (que são anunciados) ao silencio das pessoas.  Quer coisa mais irritante quando alguém está quieto (alem do seu normal) e você pergunta o motivo desse silencio quando o outro diz: “Não é nada, é impressão sua!!!”, ou quando você chega num ambiente cheio de gente conversando e ao você entrar todos se calam (porque o assunto chegou).
As vezes o silencio pode significar submissão, quer maior forma de agressão do que mandar alguém calar a boca? Agora você vai ficar quieto e ouvir tudo o que tenho para dizer.
Concordo que as vezes o silencio é necessário para reflexão, quando isso acontece não tem jeito, temos que respeitar o tempo do outro e pronto.  Quando chegar a hora o outro fala.  Nesse caso é melhor segurar a ansiedade, pois se forçarmos o outro a falar, pode dar merda...
                Tenho medo do silencio porque na grande maioria das vezes ele não antecede assuntos ou decisões agradáveis.  Um grande amigo meu, ao deixar de gostar de alguém nunca termina a relação, apenas se cala e não procura mais o outro, para muitos já funciona como um recado nas entrelinhas: “Não estou te procurando, portanto vá se acostumando, pois o próximo passo é o pé na sua bunda”. 
                O problema é que para quem tem a necessidade de ouvir, o silencio é um pesadelo, e quem é ansioso também tem uma imaginação incrível e adora adivinhar os motivos do silencio alheio, e na grande maioria das vezes estamos errados com relação a esses motivos, não tem jeito, ou aprendo a respeitar o silencio do outro, ou continuo odiando, e como respeito é um exercício diario...bora tentar colocar em pratica...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Acho que estou ficando velho. Ou cansado...

       
  

           No ultimo sábado, após muito tempo resolvi ir à missa.

A MISSA em questão,  como é carinhosamente chamada por seus frequentadores, é uma das baladas mais tops de São Paulo.

                Mesmo após um tempo sem comparecer à missa, as coisas por lá continuam como sempre foram,  dos caras que se acham, brigando pelo espelho, às garotas inconformadas com tantos homens bonitos, quanto a necessidade tomar bala ou doce para curtir a balada.  Como diria Neide (personagem de Eduardo Martini na peça I Love Neide)...esse pessoal tá consumindo muito açúcar...

                O que me chamou a atenção é como o pessoal ainda se preocupa em como será visto.  A começar pelo grupo de amigos que desceram do ônibus duas quadras antes da balada para pegar um táxi, afinal de contas “chegar na balada de ônibus...nuncaaaa”.  Na entrada desceram os três do táxi, algo como divas num tapete vermelho, enquanto que eu olhando e imaginando “VOCES TAMBEM ESTAVAM NO PQ. DOM PEDRO/PQ DA LAPA”!!!, mas para eles o que valia era o que os outros (que não estavam no mesmo ônibus)  pensavam...

                Ainda na fila (que como sempre estava imensa), comecei a presenciar um outro que já começavam a usar o doce, a bala, ou qualquer outro estimulante ali mesmo, nada contra usar qualquer aditivo, mas me pergunto se é necessário utilizar assim, na frente de todo mundo.  Talvez o mesmo deva pensar que se drogar na frente dos outros seja algo bacana, estiloso.

                Lá dentro continuava tudo igual, a mesma musica, e principalmente as mesmas pessoas em busca das mesmas coisas, o cara que se mata na academia, sem camisa, a fim de ser admirado, idolatrado, quando no facebook reclama que foi pra balada mas não encontrou ninguém bacana, apenas pessoas interessadas no seu corpo.           

                Um amigo muito querido e super paquerado nas redes sociais, também estava por lá, e dos mais de 2000 amigos que possui no facebook, acabou encontrando nessa noite uns 30  , e quando alguns desses o procuravam, não queriam saber de conversa, apenas de pegação.  E aquela historia de que são diferentes?  Que estão sozinhas porque ninguém quer nada serio? Aqueles que conversavam com ele falavam coisas do tipo: “ Não me adaptei muito ao Whey” ou “A GENTE VAMOS SE dar bem” ou “EU SE mato na academia”, Embora músculos seja fundamental para muita gente, para um outro pessoal (inclusive eu e meu amigo) não resolve, a inteligência também excita. 

A fim de fazer um teste, esse amigo resolveu pesquisar com seus amigos solteiros o porque de estarem sozinhos. E TODOS os que ele encontrou na balada responderam que queriam algo serio enquanto a maioria das pessoas só queria pegação...

Resultado da noite para ele: volta para casa sozinho e 30 amigos a menos no facebook.

Tambem estava por lá a patricinha, que bêbada e descabelada dava seu showzinho privado no meio da pista.

                Continuava por lá ainda o calor, o empurra-empurra e o pessoal molhado de suor esbarrando em você o tempo todo.

                Antigamente ficava de olho no relógio para não chegar atrasado à missa, no ultimo sábado não parava de olhar no relógio a fim de chegar a hora da atração da noite (a cantora Wanessa, que alias foi a única coisa que valeu à pena) terminar sua apresentação para que eu viesse embora para casa.

                Em casa, meu chuveiro nunca foi tão relaxante e minha cama tão aconchegante.  Eu juro que tentei, respeito muito meus amigos que continuam  na noite, mas para mim, acho que já deu, realmente acho que estou ficando velho...ou cansado...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

"Só" estou sendo legal...




Vez ou outra, ao voltar da faculdade, eu e alguns outros passageiros nos espantamos com a atitude de um dos motoristas do ônibus que nos leva até o metrô. 

E o motivo de tanto espanto se trata única e exclusivamente da educação do mesmo.  Isso mesmo... educação, e não a falta dela.

Que época é essa a qual chegamos, onde achamos estranho quando alguém que não nos conhece, nos cumprimenta com um simples “Boa Noite”?

Enquanto alguns admiram e retribuem essa gentileza, outros passam direto, poucos respondem enquanto a grande maioria o chama de louco (claro que longe dos ouvidos dele).

E ele insiste, por mais que os passageiros do ponto anterior não respondam, no próximo ele cumprimenta com a mesma boa-vontade.

É visível como o simples “boa noite” de alguém que está ralando num transito como o de São Paulo, tem o poder de desarmar a cara amarrada de algumas pessoas.  Tambem é visível como existem pessoas amargas e  mal-humoradas a ponto de nem ao menos acenarem com qualquer gesto.

Garanto que para algumas pessoas, se a pessoa em questão fosse alguém “mais elitizado” que um simples motorista de ônibus, a resposta, bem como o sorriso, seria imediato.

Na minha adolescência trabalhei numa famosa rede de lanchonetes onde para 99% dos funcionários, a pior das funções não era lavar o banheiro ou ficar o dia inteiro na chapa, mas sim cumprimentar os clientes que entravam na loja, talvez pelo simples fato de que tais clientes, na grande maioria das vezes, nos ignorava.

Certa vez estava na balada quando me aproximei de uma garota, a cumprimentando com um: “olá estava do outro lado do balcão e...!!!” Ela imediatamente me barrou da seguinte forma: “olha não leve a mal, mas estou com alguém”, no que prontamente respondi: “Tudo bem, só vim dizer que sua comanda caiu da bolsa”.  Não sei o que foi pior para ela: perder a comanda ou ter cair na real de que ela não é tão desejada assim.  A velha história do “Sou legal, não estou te dando mole”.  Claro, depois ela se desculpou pelo comportamento, e saiu pela tangente dizendo que estava brincando. Coitada, mal sabe ela (risos)...

Temos o péssimo habito de acreditar que qualquer pessoa que nos trate bem, quer algo em troca.

Alias chegamos ao ponto de querer retribuir de alguma forma pelo trabalho realizado da forma correta, sem mais nem menos.  Explico.  Certa vez estava no hospital, quando uma paciente apareceu com uma cesta de flores para a medica e uma cesta de café de manhã para os funcionários da enfermagem.  Questionada o porquê de tal atitude, a mesma foi taxativa: “É porque fui bem tratada”.  Ou seja, a equipe, a qual inclusive eu fazia parte, não fez nada demais, a tratou como qualquer outro paciente.  Mas devido a tantos outros colegas que a trataram com descaso, ela achou por bem nos recompensar de alguma forma.

O que não falta são exemplos de pessoas que causam espanto por tratar o próximo de forma digna,  infelizmente também não faltam outros que ao observarem essas pessoas se lamentam: “Que gesto bonito, também queria poder fazer algo parecido”...seria cômico se não fosse ridículo...

Voltando ao motorista, ao chegar no ponto final da linha, ele agradece a cada um dos passageiros desejando-lhes bom descanso.  Enquanto cada um de nós volta para casa, passando uns por cima dos outros, ele faz o retorno com o ônibus e começa a viagem novamente, com a mesma educação que ele insiste em compartilhar com cada um de nós.  Resta-nos decidir o que fazer com a lição que ele insiste em nos ensinar, continuar ignorando-o, chamando-o de louco, ou coloca-la em pratica.  Acho mais legal coloca-la em pratica, ainda prefiro ser chamado de louco, a ser ignorado ou mal educado...

Mentira...

       Tem gente que mente.  Tem gente cuja vida é tão mentirosa, que não consegue mais lidar com a verdade.        A gente  mente po...